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PICO
Perdido na esteira de um barco ou guiado pelo dorso de uma baleia, chegamos à escarpa volumosa e altiva de um marco natural. Subir, descer, entrar, conhecer tudo e superar todas as expectativas… um sonho.
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Vinho do Pico - Açores - (Séc. XVIII) |
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Foi largamente exportado para o Norte da Europa e até mesmo para a Rússia. Depois da revolução (1917), foram encontradas garrafas de vinho "Verdelho do Pico" armazenadas nas caves dos antigos czares da Rússia, daqui o nome de Czar dado pelo Professor Jose Duarte ao seu vinho afamado.

Cultura da vinha no Pico
O afastamento das ilhas, a sua pequena dimensão e respectivo número de habitantes levaram a
Adeliaçor - Associação para o Desenvolvimento Local das Ilhas dos Açores a conceber, no âmbito
do programa LEADER+, uma estratégia de desenvolvimento comum, considerando acções
transversais a toda a Zona de Intervenção – Faial, Pico, São Jorge, Corvo e Flores.
Os temas locais de mobilização resultaram na criação de quatro rotas turísticas temáticas. Na ilha do
Pico, com produção de vinhos de qualidade reconhecida e estruturas vitivinícolas de grande interesse
turístico e cultural, o objectivo é implementar a Rota do Vinho. Serão, assim, contemplados os
recursos naturais, os equipamentos, as actividades produtivas e o património cultural, imaterial,
intangível, que é toda a história da vinha e do vinho. Acresce a classificação da Paisagem da Cultura
da Vinha da Ilha do Pico como Património da Humanidade pela UNESCO, em 2004.
A vinha terá sido uma das primeiras culturas introduzidas nas ilhas dos
Açores, descobertas e colonizadas em meados do século XV. As condições
climáticas e a natureza do terreno, não permitindo o cultivo do trigo em
larga escala, terão determinado a cultura da vinha.
O ordenamento do território obedeceu às exigências da cultura, resultando
na edificação, com pedra solta, de quilómetros de muros – os “currais” –
apresentando-se como uma malha reticulada que, numa perspectiva
ampliada, representa a paisagem da cultura da vinha do Pico.
A propriedade está dividida em “jeirões”, separados pelos muros das veredas
transversais, as “servidões”, onde desembocam as “canadas” – elemento
estrutural – interceptadas de forma perpendicular por muros mais
pequenos, os “traveses”, os quais formam uma sequência de rectângulos,
os denominados “currais”. De curral em curral, existem estreitas passagens,
as “bocainas”, desencontradas à direita e à esquerda, com o objectivo de
impedir a circulação do vento.
Este modelo arquitectural não foi obra do acaso, mas antes resultado da
sabedoria popular face à preocupação de proteger as videiras do vento e
do rossio do mar, bem como dar destino às pedras dispersas, para além de
criarem uma espécie de microclima junto das cepas.
Após tempos conturbados provocados pelo oídio e filoxera, que dizimaram
a vinha, desde 1950 foram tomadas várias medidas impulsionadoras da preservação
do património vitivinícola. Em 1951 foi criada a Cooperativa Vitivinícola
da Ilha do Pico (CVIP); em 1982 foi criado o Museu do Vinho e
estimulada a realização da Festa das Vindimas; em 1986 é publicada a legislação
de protecção da paisagem da cultura da vinha; e em 2002 foi criada a
Confraria do Vinho do Pico. Através do DLR n.º 12/96/A, a Assembleia
Legislativa Regional dos Açores decretou a criação da Paisagem Protegida
de Interesse Regional da Cultura da Vinha da Ilha do Pico.
Esta paisagem, classificada de Património da Humanidade pela UNESCO,
em 2004, ocupa uma área total de 154,4 hectares, distribuída pelos núcleos
da Criação Velha (concelho da Madalena) e Santa Luzia (concelho de São
Roque), envolvida por uma zona tampão de 2.445,3 hectares, que abrange
os vinhedos, as adegas típicas e algumas espécies raras de flora e fauna.
Com esta candidatura e classificação, as autoridades açorianas pretendem
simultaneamente “conservar os antigos currais de pedra e homenagear o
homem do Pico que, ao longo dos anos, transformou a pedra basáltica em
sustento, sem no entanto quebrar o equilíbrio com a natureza”.
Com a nova política de mercado decorrente da adesão de Portugal à Comunidade
Europeia, surge uma nova perspectiva na vitivinicultura. O conceito
de denominação de origem foi harmonizado com a legislação comunitária
e foi criada a classificação de Vinho Regional, para os vinhos de mesa com
indicação geográfica, reforçando-se a política de qualidade dos vinhos
portugueses.
No Arquipélago dos Açores, apenas as ilhas do Pico, Terceira e Graciosa
possuem regiões vinícolas, reconhecidas em 1994 como IPR (Indicação de
Proveniência Regulamentada), respectivamente, Pico, Biscoitos e Graciosa,
sendo as castas permitidas Arinto, Boal, Fernão Pires, Terrantez e Verdelho
dos Açores.
Quanto ao Verdelho, é uma produção restrita às zonas mencionadas. A
área de cultivo desta casta foi classificada como Região Demarcada pelo
DR n.º25/80/A, de 16 de Setembro, e o vinho produzido a partir dela, à
qual foram adicionadas castas de Arinto e Terrantez, foi por sua vez
classificado como VLQPRD (Vinho Licoroso de Qualidade Produzido em
Região Determinada) pelo DL n.º17/94 de 25 de Janeiro.
A qualidade do vinho do Pico advém da especificidade da sua cultura. Para
além da natureza e do clima, existe um conjunto de elementos que são
necessários ao sucesso da produção e que mantêm os viticultores atarefados.
Inicialmente, eram utilizadas diversas castas no fabrico do vinho que, doseadas
em partes proporcionais, deram origem a um Verdelho de renome
internacional, com uma elevada graduação, de sabor peculiar e um bouquet
distinto, o qual, segundo reza a história, terá alcançado “as mesas dos czares
da Rússia”.
Actualmente, no Pico, produzem-se vinhos, cujos lotes são certificados,
pela Comissão Vitivinícola Regional dos Açores, com as nomenclaturas de
VLQPRD (“Lajido” produzido pela CVIP e “Czar”, produzido por um produtor
particular, José Duarte Garcia) e Vinho Regional (“Terras de Lava” e
“Frei Gigante”, da CVIP; “Maresia”, de Rui Matos; e “Gouveio e Viosinho”
e “Merlot e Cabernet Sauvignon”, da Curral de Atlantis).
E se é certo que o vinho tem alma, a do Pico emana com certeza da madre
do seu vulcão. Ver brotar as cepas da lava, faz pensar em algo de milagroso
e só se entende a invulgar qualidade das uvas quando se desvenda o segredo
da sua apuradíssima maturação, que a mesma lava potencia.
Um vinho desta categoria não foi criado para bebedores, mas sim para
entendidos e, como tal, terá a sua perenidade assegurada, porque a raridade
não tem preço.
Arlene Goulart
Adeliaçor
“Toda esta intervenção do Homem não alterou a
paisagem natural, porque de mais não se tratou do
que a partir da pedra, sobre a mesma pedra, dar um
diferente arranjo à pedra. Pedra era e pedra ficou.”,
Tomás Duarte


O Vinho do Pico (emissão filatélica)
Açores - Vinho do Pico
Em Julho de 2004, a UNESCO considerou a Paisagem da
Cultura da Vinha da Ilha do Pico, Açores, como Património Natural da Humanidade.
A ilha desenvolve-se em torno do vulcão, com 2351 metros de altitude, e a área
classificada engloba os lajidos das freguesias da Criação Velha e de Santa Luzia
no lado ocidental da ilha. O famoso "Verdelho do Pico" é cultivado em pequenas
quadrículas de terreno onde crescem as vinhas, separados por muros de basalto
negro feitos de pedra solta, chamados localmente de "currais". Nascidos de um
solo de lava, protegidos dos ventos por essas paredes de pedra negra e áspera,
aquecidos pelos raios de sol, os cachos de uvas ganham a doçura do mel.
Espremidos, produzem um vinho branco seco, com uma graduação alcoólica dos 15 a
17 graus. Depois de envelhecido, dá um excelente aperitivo que, no séc. XIX, era
exportado para muitos países da Europa e da América, chegando às mesas da corte
russa. Depois da revolução soviética (1917), foram encontradas garrafas de vinho
"Verdelho do Pico" armazenadas nas caves dos antigos czares. Hoje, este vinho
ostenta a denominação de origem VLQPRD (Vinho Licoroso de Qualidade Produzido em
Região Determinada).
As vinhas, que marcam a paisagem da ilha, produzem igualmente o tinto "vinho de
cheiro", que é uma presença obrigatória na mesa nos dias de festa, bem como a
muito apreciada - angelica, feita com mosto, aguardente e açúcar.

Açores: vinho verdelho
Já pensou em provar um vinho que cresce na rocha basáltica?
Parece estranho que tais condições produzam um néctar delicioso, mas a verdade é
que, em tempos recuados, este vinho ia directamente à mesa dos czares da Rússia.
A cultura da vinha na Ilha do Pico começou no
final do séc.XV, quando se iniciou o povoamento da ilha. Graças ao solo
vulcânico, rico em nutrientes, e ao micro clima seco e quente das encostas, as
vinhas, da casta verdelho, conseguiam condições excepcionais de maturação. Foi
por isso que este vinho adquiriu uma especificidade própria, e a paisagem onde
se insere, profundamente trabalhada pelo homem para domar a rocha em terra
arável, faz hoje parte da lista do Património da Humanidade.
Na sua visita ao Pico, este será um dos pontos de
maior interesse da ilha, marcando a paisagem de pequenas quadrículas formadas
por muros de pedra basáltica.

Prova "cega" de vinhos... Expectativas goradas, ou talvez não...
2003-08-22 22:59:45
Rui Pedro Ávila
Aposentado - Ilha do Pico
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Há anos, muitos anos, ele - o vinho verdelho do Pico - era produzido por toda a ilha, da Ponta da Ilha (Engrade e Manhenha) à Criação Velha, passando pela Baía de Canas...
Ficaram algumas "parreiras" na Engrade, que entretanto foram-se perdendo...
Restam hoje com alguma relevância, apenas as vinhas da Criação Velha... Mas continua a ser um excelente vinho, aquele que é feito na Adega do produtor... Seja o José "Frade", o Professor Duarte, o Augusto, o Manuel Ferreira Pereira, o José Albino e tantos outros... Este excelente vinho - conhecido por "verdelho" - é único nos Açores, pelo menos para nós, já que não tem comparação com o dos Biscoitos - Terceira, nem com o da Graciosa...
Dum excelente produto, feito na Adega típica do Homem do Pico, nunca se conseguiu, na Adega Cooperativa, criar comercialmente um vinho verdelho semelhante. Fosse o "Pico" Aperitivo, ou mais recentemente o "Lagido". Era esta a opinião que andava nas "bocas" do nosso Povo, embora, seja de relevar, só era dito em "voz baixa", não fossem alguns "iluminados" e "provadores experimentados" classificá-los com epítetos menos respeitosos...
Mas que se dizia que o "Lagido" não correspondia nem à qualidade que se propagandeava, nem ao investimento financeiro que era exigido, nem à tradição do nosso verdelho, isso dizia-se...
Veio agora a Prova "cega" de vinhos e foi ver-se os resultados, que só podem surpreender os menos avisados, ou mais crédulos...
O verdelho do Professor Duarte ficou em 1º lugar...
O "Cavaco" branco idem e o "Curral Atlantis" tinto também...
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Esta denominação de origem, confinada à Ilha que lhe dá o nome, situa-se no Arquipélago dos Açores. Pensa-se que foram os frades franciscanos que introduziram o plantio da vinha nesta região. Construídas as igrejas, eles tinham que importar vinho, elemento essencial na celebração da missa. Ao verificarem que as condições edafoclimáticas eram idênticas às da Sicília, trouxeram de lá várias plantas da casta mais conhecida - Verdelho A expansão, por toda a Ilha, foi relativamente fácil e rápida. O vinho produzido tornou-se famoso e foi exportado para todo o Norte da Europa. Após a revolução de 1917, foram encontradas garrafas de vinho "Verdelho do Pico" armazenadas nas caves dos antigos czares da Rússia. Com um clima caracterizado por fracas amplitudes térmicas e precipitações elevadas, regularmente distribuídas durante o ano, esta região produz um vinho generoso de grandes tradições. Este vinho resulta de uvas produzidas predominantemente em solos designados de "Lajido". As cepas são plantadas em fendas no basalto, protegidas por um reticulado de muros de pedra vulcânica solta, a escassos metros do mar, e até a uma altitude de 100 metros. A área geográfica correspondente à Indicação de Proveniência Regulamentada "Pico" abrange parte dos concelhos da Madalena, de São Roque e das Lajes.
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As suas terras foram lavradas e exploradas e onde outrora se encontravam biscoitos e mata, encontramos agora, transformada pelo ardo trabalho dos seus habitantes, em pomares e vinhedo, donde vem o verdelho do Pico que durante mais de duas centenas de anos, atingiu fama internacional, sendo apreciado em vários países como é o caso da Inglaterra, América e Rússia.

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Paisagem cultural da vinha da ilha do Pico
Património da humanidade
Breve resenha histórica sobre a vinha e o vinho do Pico
1- Introdução
2- Historia do plantio e cultivo da vinha e a produção do vinho do Pico
3- Conclusões
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Introdução
Chamo-me Fernando Machado Joaquim, nasci na ilha do Pico, no concelho e freguesia da
Madalena.
A minha família está ligada ao cultivo da vinha e à produção do vinho verdelho à mais de um
século.
Só encontro esta a razão para que o senhor professor Henrique Barreiros se tenha lembrado da
minha pessoa para falar sobre a vinha e o vinho do Pico.
Tenho plena consciência que serei seguramente a pessoa menos indicada para falar sobre o
tema, pois não sou nem nunca fui um estudioso da matéria, mas apenas alguém que nasceu e
viveu no meio das vinhas e do vinho.
Não quero nem pretendo fazer a historia da família, apenas julgo de algum interesse referir, que
sendo o meu avô natural das lajes do Pico, adquiriu na década de 80 do século XIX, à celebre
família Dabney, uma das suas 2 propriedades que possuía na ilha do Pico, situada esta na zona
da Barca com uma área de cerca de 200 alqueires e na qual ele deu inicio à sua produção de
vinho verdelho.
Mais tarde adquiriu outra propriedade situada na zona do Carmo, que pertencia primitivamente
à Congregação Religiosa dos Frades Carmelitas e que também em parte produzia vinho
verdelho.
Desta propriedade foi desanexada recentemente a casa conventual, o armazém com alambiques
e lagares e uma pequena faixa de terreno cultivado de vinha branca, o que constitui actualmente
o Museu do Vinho da Ilha do Pico.
Embora considere que seria interessante contar um pouco da história destas propriedades
ligadas à produção do vinho do Pico, julgo não ser oportuno faze-lo, pois não os quero maçar
demasiado sobre o tema.
- 3 -
Breve resenha histórica sobre o plantio e cultivo da vinha e a produção de vinho verdelho
do Pico.
Falar sobre a história do vinho do Pico leva-nos necessariamente a recuar ao século XV, mais
propriamente ao ano de 1460, data em que se iniciou o povoamento da ilha do Pico.
Foi concedido a Álvaro Ornelas, capitão donatário da ilha da Madeira, a carta de capitão donatário
da ilha do Pico, cabendo a este a responsabilidade do seu povoamento, no entanto, nunca
demonstrou grande interesse pela ilha, sabendo da inóspicidade de grande parte dela e por se
encontrar bem instalado na ilha da Madeira.
Embora tenha havido duas abordagens à ilha, uma pelo lado sul, no lugar hoje chamado de Lajes
em 1460 e outra pelo lado Norte, no lugar hoje chamado de São Roque em 1470, a parte oeste da
ilha continuou totalmente desabitada, pois na sua maioria encontrava-se coberta por um manto de
lava onde não existia qualquer área de terra cultivável, nem corria água que permitisse abastecer
quem lá se quisesse instalar, pois entre o lugar hoje chamado de São Mateus e o lugar hoje
chamado Santa Luzia não corria qualquer ribeira que permitisse a captação de agua.
O capitão donatário da ilha do Faial, chefiando uma comunidade Flamenga devidamente
organizada, “Jos Dutra”, desejoso de ampliar a sua esfera de domínio, vai junto da coroa
Portuguesa pedir carta de capitão donatário para a ilha do Pico, o que lhe foi concedida em 1482,
tornando-se assim, no segundo capitão donatário da ilha do Pico.
“Jos Dutra” organiza a partida do primeiro grupo de povoadores, que aborda o Pico pelo lado Sul
no lugar hoje chamado de São Mateus, por ser o lugar mais próximo do Faial em que existia uma
ribeira que corria agua, havendo nas proximidades terras passíveis de serem cultivadas.
Ligando agora o povoamento ao cultivo da vinha, reza a historia que foi Frei Pedro Gigante,
primeiro Pároco da primeira comunidade da ilha, que plantou as primeiras videiras no lugar hoje
chamado de Silveira, vindas da Madeira dizem uns, ou da ilha de Chipre dizem outros.
Há relatos que dizem que esta plantação de vinhas se estendeu para sul no lugar hoje chamado de
Santa Barbara e a norte no lugar hoje chamado de Prainha do Norte.
Mas, é sem duvida a comunidade vinda do Faial que iniciou o verdadeiro ciclo do vinho verdelho
do Pico, tentando plantar bacelos de vinha nas brechas das rochas que constituíam o manto de lava
existente, tendo obtido bons resultados, pois a existência de alguma terra por debaixo do manto e a
infiltração das aguas das chuvas permitiram o bom desenvolvimento dos bacelos, formando-se
boas parreiras de vinha e produzindo uvas de boa qualidade.
Perante esta experiência positiva o homem do Pico dá inicio a um trabalho árduo e à força de barra
de ferro e marrões, rompe o manto de lava, abre covas, coloca terra e planta vinha.
As uvas obtidas são de grande qualidade e o vinho produzido, alem de ser muito bom, possuía um
grande teor alcoólico.
- 4 -
O lugar era seco, bem batido pelo sol, que simultaneamente aquecia o manto de lava, o qual
durante a noite libertava um bafo quente, criando as condições óptimas para o amadurecimento das
uvas.
Face a estas realidades a comunidade Faialence começa a investir fortemente na produção do
vinho, adquirindo a maioria dos terrenos da frente ocidental da ilha, numa extensão de cerca de 20
km, desde da Prainha do Galeão a Santo António, chegando a atingir 5 km para o interior, numa
área superior a 100 km quadrados.
Será talvez interessante referir a existência de uma postura municipal, que proibia o avanço da
plantação de vinhas mais para o interior, por duas ordens de razões:
- Uma porque o vinho aí produzido era de menor qualidade
- A outra e mais importante, era de preservar a área para a existência de lenhas e matos que
constituíam o único combustível para as populações, não só do Pico como também de parte
da ilha do Faial.
Dado que a plantação das vinhas eram feitas apartir da costa, parte dela desabrigada, estas
passaram a estar sujeitas ao rossio de agua salgada vinda do mar conforme a orientação dos ventos,
queimando os rebentos das videiras e destruindo totalmente as uvas nascidas, esta situação ocorria
entre os meses de Abril e Junho.
Face a esta realidade e também à necessidade de arrumar a pedra retirada, quando à abertura das
covas para a plantação dos bacelos das videiras, o homem do Pico mete ombros a outra tarefa
gigantesca, que consistiu na construção de muros de pedra solta, com cerca de um metro de altura,
constituindo um verdadeiro rendilhado de paredes.
Tendo em conta a orientação predominante dos rossios do mar foram-se construindo paredes com
cerca de quarenta a cinquenta metros de comprido, paralelas umas às outras, distando entre si dois
a três metros, terminando todas junto a uma vereda transversal a que se chamava servidão.
A área compreendida entre duas servidões paralelas e contíguas, chamava-se “Jarrão”.
Em cada canada foram construídos muros transversais chamados “traveses” que distavam entre si
cinco a seis metros e em que de um dos lados não chegava à parede da canada, dando lugar a uma
passagem a que se chamava “bocaina” e eram colocadas normalmente em posições alternadas para
maior protecção dos ventos.
O espaço na canada entre dois “traveses” contíguos chamava-se curral.
Todo este trabalho gigantesco foi dando os seus frutos e conta a historia que um século depois dos
primeiros povoadores vindos do Faial se terem fixado no Pico, com as vinhas já plantadas
produziam-se mais de duas mil pipas de vinho por ano, isto no final do século XVI.
A produção do vinho foi crescendo, ano após ano, havendo relatos escritos por elementos do clero
que afirmaram, talvez um pouco exageradamente, que a produção de vinho do Pico chegou a
atingir trinta mil pipas, tornando-se assim na maior fonte de rendimento, tanto da ilha do Pico
como da ilha do Faial.
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É nesta época áurea que os proprietários das vinhas, quase todos da ilha do Faial, constroem os
seus solares junto à costa, verdadeiras casas de veraneio, com os respectivos armazéns e lagares e
em alguns casos também com alambiques.
Foram construídos também em todos estes solares poços de maré para fazer face à falta de água.
Em outros casos construíram-se apenas adegas com os respectivos armazéns, mas todas estavam
dotadas dos seus poços de maré.
Alias, é interessante referir que também foram construídos poços de maré em muitos lugares
públicos, para permitir à população o abastecimento de agua, nomeadamente no verão, o que não
era tarefa fácil, dado que as casas da população rural situavam-se acima das áreas das vinhas e
portanto um pouco distante da costa onde se situavam os poços públicos.
É também neste período áureo da produção de vinho, que se construiu ou se improvisou pequenos
portos ou simples embarcadouros, junto dos locais onde o vinho era produzido e em alguns casos
para se poder chegar a esses pequenos portos foi necessário aplanar as rochas para poder levar o
vinho até aos portos ou embarcadouros, a estas construções chamaram-lhes “rola-pipas”
A quase totalidade dos vinhos produzidos na fronteira do Pico, uma vez feitos, eram transportados
para a ilha do Faial em pequenos barcos, apartir dos portos e embarcadouros existentes,
normalmente até ao fim do verão, aproveitando a época de mar manso e aí ficavam armazenados
até a sua exportação para várias partes do mundo, como sendo o norte da Europa, as Índias
Ocidentais, a América do Norte ou o Brasil.
Uma das casas comerciais do Faial mais importante na exportação do vinho do Pico, foi a casa ”De
Sobradello & co” e no século XIX também a casa Dabney foi um grande exportador do vinho do
Pico e foi a casa que mais contribuiu para que o vinho fosse pago a um preço mais justo para o
produtor.
Chegando-se a meados do século XIX, mais precisamente no ano de 1852, começou a aparecer nas
videiras um pó branco que cobria totalmente os bagos das uvas, desde a floração até à maturação,
destruindo totalmente as uvas e que rapidamente se alastrou a todas as vinhas.
Com o aparecimento desta moléstia a produção de vinho caiu drasticamente, passando a produção
dos milhares de pipas para cerca de uma centena.
Foi o descalabro total, as casa ricas do Faial que tinham como principal fonte de rendimento a
produção de vinho, viram-se obrigadas a largar as vinhas, vendendo-as ao desbarato e assim no
Pico passou-se do pequeno latifúndio para a proliferação do minifúndio.
Também em consequência desta situação, os trabalhadores rurais do Pico perderam as suas fontes
de rendimento e deixaram de ter dinheiro ou outros quaisquer proveitos, para comprar os cereais
necessários para a sua alimentação, que na sua maioria provinham da ilha do Faial.
Mas o homem de Pico nunca foi de baixar os braços e empreendeu uma nova epopeia, a de
desmanchar terras, partindo e separando a pedra do pó da terra, fazendo assim pequenas hortas e
serrados, onde passou a cultivar o milho, as batatas, os inhames, etc.
Amontoou a pedra de forma organizada construindo enormes “maroiços” que são autênticos
monumentos.
- 6 -
Vinte anos após o aparecimento do “oídium” o senhor Manuel Maria da Terra Brum, filho daquele
que foi um dos maiores vinhateiros da ilha do Pico, traz para a ilha uma casta de uvas proveniente
da América, chamada”Isabel” e que havia de produzir o conhecido vinho de cheiro.
Mas quando se julgava que a crise tinha sido ultrapassada, cerca de três anos depois disparou nova
praga, agora também na vinha Isabel, a que se chamou “Filoxera”, que destruiu toda a produção
deste tipo de uva.
Face a mais esta contrariedade o homem do Pico começou a ficar sem forças para lutar e então
começou a emigrar em massa para a América e para o Brasil, mas os que ficaram continuaram a
trabalhar e sendo encontrado o tratamento adequado para as pragas que destruíram as vinhas, o
homem do Pico lança-se novamente no plantio da vinha, com predominância para a chamada vinha
Isabel, que produzia uva em maior quantidade e com menores custos, ficando o velho verdelho
reduzido às zonas mais privilegiadas para a produção deste tipo de uva, reforçando essas zonas
com vinhas de outras castas como sendo o “Arinto”, o “Boal ou Fernão Pires” e o “Terrantez”, no
entanto a produção do vinho chamado verdelho não voltou a ultrapassar algumas centenas de pipas.
De então para cá, o vinho tipo verdelho tem vindo a baixar de produção, devido fundamentalmente
ao gradual e significativo aumento dos factores de produção, nomeadamente a mão de obra, não só
por causa do seu custo, mas também por necessitar de maior quantidade de mão de obra.
Para tentar minorar esta realidade e incentivar os produtores de vinho verdelho a manter as suas
explorações era necessário procurar melhorar o circuito de produção, comercialização e
nomeadamente de exportação.
Foi com estes objectivos que um grupo de vinhateiros se reuniu, e entre eles os meus familiares e
tentam organizar-se em cooperativa.
Foi assim que nasceu a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico na década de cinquenta, sendo por
sinal o seu primeiro presidente o meu tio.
A organização da cooperativa encontrou alguns reveses, não só na fase organizativa mas
principalmente na fase de construção, dada a dificuldade de encontrar subsídios para a sua
construção, pois foi só em 1961 que a adega cooperativa recebeu as primeiras uvas, mantendo-se
até hoje em plena laboração, com uma actividade significativa, muito embora a produção do vinho
chamado verdelho seja mínima e a qualidade bem diferente daquela que tinha o vinho que era
antigamente produzido.
- 7 -
Conclusões
Na minha modesta opinião, o futuro do vinho tipo verdelho produzido na ilha do Pico, apresenta-se
pouco risonho por varias razões:
1- A manutenção das vinhas do tipo original é extremamente trabalhosa e a pouca mão-deobra
existente e o seu elevado custo, torna a manutenção deste tipo de produção
praticamente inviável.
2- O aumento significativo da vegetação e a existência de maior quantidade de terra sobre o
manto de lava, conduziram ao aumento do grau de humidade, a que se acresce a
instabilidade do tempo, principalmente nas épocas de verão, fazendo com que as uvas
produzidas nunca atinjam o teor alcoólico que anteriormente se verificava, mesmo nas zonas
ainda privilegiada como seja a zona do Lajido da Criação Velha, e todos nós sabemos que o
bom vinho se faz principalmente na videira.
3- A juventude de hoje está muito pouco interessada em dedicar-se ao cultivo das vinhas,
pelo que, na minha perspectiva, o vinho do tipo verdelho, tão afamado que foi, tende a
acabar.

Portugal
Vinho
Regiões
Açores
Em
pleno Oceano Atlântico, à latitude de 37 a 39,5N e a uma distância de 1600 km a
Oeste da costa continental portuguesa, situa-se o arquipélago dos Açores
constituído por nove ilhas, em três das quais se cultiva a vinha: Terceira, Pico
e Graciosa.
Estas Ilhas foram colonizadas em meados do séc. XV, pensando-se que foram os Frades Franciscanos quem nelas introduziram o plantio da vinha.
Desde muito cedo estes religiosos constataram existirem grandes semelhanças entre as condições edafo-climáticas da Sicília e algumas ilhas deste Arquipélago, tendo trazido várias plantas da casta mais conhecida, o Verdelho (antigo Verdecchio siciliano, segundo alguns investigadores), cuja expansão foi rápida e abundante.
O vinho produzido tornou-se famoso e foi largamente exportado, particularmente o produzido na Ilha do Pico, para todo o Norte da Europa e até para a Rússia. Depois da revolução bolchevique, em 1917, foram encontradas garrafas de Vinho Verdelho do Pico armazenadas nas caves dos antigos czares da Rússia.
Localizado na zona de contado das placas Americana, Europeia e Africana, a sua origem é vulcânica e relativamente recente, apresentando, por isso, solos pouco espessos, constituídos por rochas basálticas, traquites, andesites e formações argilosas.
A agricultura mantém posição destacada concentrando-se essencialmente nos produtos lácteos, nas estufas de ananás e noutras culturas agro-industriais.
A qualidade e o prestígio dos vinhos dos Açores são conhecidos de longa data, facto que levou a que fossem reconhecidas três Indicações de Proveniência Regulamentada: "Pico", "Graciosa" e "Biscoitos".
O IPR "Pico" é um vinho licoroso branco, produzido na Ilha com o mesmo nome, a partir de uvas cultivadas em terrenos pedregosos, localizados junto à costa poente, sendo a área de vinha muito reduzida e as parcelas cercadas de pedra solta a que dão o nome de "currais" e cuja finalidade é de proteger as plantas da acção dos ventos.
The Azores Islands regional wines The best known wines of the Azores are Verdelho from Pico. Is the most known and is available in the market,as an aperitif or digestive. This wine achieves fame as far away as the Court of Imperial Russia.

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Titulo Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico
Data de
inscrição |
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Breve Descrição |
A Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico é um sítio classificado pela UNESCO compreendendo uma área de 987 hectares na ilha do Pico, a segunda maior do arquipélago dos Açores. A zona classificada inclui um notável padrão de muros lineares paralelos e perpendiculares à linha de costa rochosa. Os muros foram construídos para protecção dos milhares de pequenos e contíguos lotes rectangulares (designados currais) da água do mar e do vento. Registos desta vinicultura, cujas origens datam ao século XV, manifestam-se na extraordinária colecção existente em casas particulares, solares do início do século XIX, adegas, igrejas e portos. A belíssima paisagem construída pelo Homem neste local é remanescente de uma prática antiga muito mais vasta na região açoriana.
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Paisagem da Vinha do Pico é Património Mundial |
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